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Ensinando a nadar

 

A moça enfrenta seus medos e dança feito bailarina de porta joias. Não precisa dar corda, nem abrir a caixinha de música. O diamante é ela. Baila com leveza sobre o estojo de preciosidades. Os adornos aguardam silenciosos enquanto a mulher interpreta a si mesma. Ela é a mais rica de todos os brilhantes.

A música sugere o girar, girar, girar. E a desbravadora da beleza oferece movimentos graciosos a quem quiser olhar.  E mesmo que não olhem; ela dança sem espelhos. É tudo improviso, como o sorriso que escapa e a timidez que revela. Dançar também tem disso. Nem tudo é pensado para agradar o outro. Flui, escorre, limpa.

No chão frio de tacos da escola de dança a menina diamante revela orgulhosa sua mais recente conquista: ela mesma. Como é bonita a mulher que enfrenta suas tempestades. Passeia imune entre relâmpagos e vendavais. Toda mulher deveria conhecer esse fluir emocionante.

Os olhos marejam diante do bailado que parece de sonho, quase de fantasia. Mas não tem nada de imaginário, apesar de toda a magia. É vitória perturbadora de quem superou seus monstros para iluminar a beleza. Beleza de quem cruzou a fronteira do impossível. Porque nos volteios femininos desse balé da vida, nasce a essência de todos os encantos.

Como é gostoso ser espectador dessa maravilha! Olho a professora e noto o mesmo encanto. Quem ensina a dança multiplica suas próprias possibilidades. E a mestra navega no veleiro da aluna marinheira com a alegria de quem descobre o mar. A dança ensina a nadar.

Maurício Cintrão

Ao som de “Little Things”, de Adrián Berenguer

(leia o texto "O Pantanal virou sertão")

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