A moça olhava os prendedores decorados com olhos curiosos, claramente encantada. Ela não sabia qual deles escolher, mostrando uma lisonjeira indecisão. “São tão lindos!”, dizia. O amigo também estava atraído pelo colorido do meu trabalho. Em silêncio, eu agradecia. Aquela talvez fosse a maior recompensa pela criação. Quando produzo esses prendedores, sonho com o deslumbramento de quem vai ver. Seria vaidade? E se for? Seria inadequado? Tenho me desafiado a participar de eventos públicos de arte e cultura para fazer contatos, conhecer pessoas, ver e ser visto. Vender minha arte é pano de fundo para um processo que estou experimentando. Foi por isso que estive no Sarau de Segunda, em Campo Grande, MS, onde encontrei aquele casal. Estou me testando em ambiente real. E comunicando, o que sempre desejei. Produzir arte (ou artesanato, insistem os acadêmicos) é comunicar alguma coisa: beleza, feiura, protesto, crítica, elogio, paixão, tristeza... Criar é um ato solitário, mas envolve proj...