Nasce do chão, como a planta, como a vida. Floresce a partir da base de todos nós. O exercício sugere crescer, levantar, assentar nos dois pés. Por isso começamos a prática deitados. Sentimos nossos corpos relaxando, apoiados no piso de tacos. Os únicos lugares em que deito no chão são as salas de dança terapia. A professora que é psicóloga, e terapeuta, e dançarina (e mandona) comanda nossos despertares. É rigorosa e observadora. Mas se emociona ao notar aqui e ali novos processos evolutivos. Somos cobaias de nós mesmos. Experimentamos movimentos. Provamos nossas limitações. Experienciamos novas possibilidades. Somos degustadores de nossos remédios e nossos venenos. Dói tudo. Dói até o que não existe. Dor é descoberta. “Movimentem as articulações, movimentem assim e assim”. O dia em que eu tiver a flexibilidade da dançopeuta eu serei um malabarista. Acho que nunca vou chegar lá. Mas me esforço tanto que tenho a sensação de evoluir milhões de anos. Sou um neandertal tun...